Uma proposta pode vencer a concorrência pelo preço e falhar na primeira nota emitida

A análise de fornecedores costuma priorizar capacidade técnica, preço, prazo e qualidade.

No novo ambiente tributário, será necessário acrescentar uma pergunta: o fornecedor consegue documentar corretamente a operação que está oferecendo?

A questão não é secundária.

Se a nota apresentar dados incompatíveis com o pedido, tratamento tributário incorreto ou informações incompletas, a empresa adquirente poderá enfrentar recusa, atraso de recebimento, bloqueio de pagamento e dificuldade no processamento do crédito.

A regulamentação da CBS condiciona a apropriação do crédito à comprovação da operação por documento fiscal idôneo e, como regra, à extinção do débito relativo à operação.

Regularidade fiscal e capacidade documental não são exatamente a mesma coisa

É importante evitar uma conclusão excessiva.

A existência de uma pendência fiscal geral ou a ausência de determinada certidão não significa, por si só, que toda operação realizada pelo fornecedor impedirá automaticamente o crédito do adquirente.

O foco da análise deve estar na operação concreta e nas condições legais aplicáveis.

Entretanto, inconsistências cadastrais, falhas reiteradas de emissão e incapacidade de corrigir documentos são indicadores de risco operacional.

O fornecedor pode estar formalmente ativo e, ainda assim, não possuir sistemas ou processos preparados para atender às novas exigências.

O custo aparece em várias áreas ao mesmo tempo

Uma nota incorreta não mobiliza apenas o fiscal.

O recebimento precisa decidir se descarrega a mercadoria. Compras cobra a correção. O almoxarifado mantém o material em situação provisória. O financeiro bloqueia o pagamento. A produção aguarda a liberação.

Quando o problema se repete, a economia obtida no preço pode ser absorvida pelo custo interno do retrabalho e pelo impacto na operação.

Em empresas com grande volume de documentos, pequenos percentuais de erro podem produzir uma fila significativa de pendências.

Homologar é testar a capacidade de cumprir a operação

A empresa deve classificar os fornecedores de acordo com valor, frequência, criticidade e risco documental.

Quanto mais estratégico o fornecimento, maior deve ser o nível de validação anterior.

Essa análise pode incluir testes de emissão, conferência do cadastro, avaliação do histórico de correções e definição de canais de resposta.

O contrato deve prever obrigação de correção, prazo para regularização e consequências quando o erro impedir recebimento, escrituração ou pagamento.

O fornecedor mais barato não é necessariamente o que cobra menos. É aquele que entrega o produto e também consegue sustentar, documentalmente, a operação que vendeu.

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