Transportadoras e operadores logísticos já fornecem uma quantidade significativa de informações ao poder público por meio do RNTRC. Até aqui, grande parte dessa estrutura estava associada à regularidade da atividade. A parceria recém-aprovada entre ANTT e Infra S.A. mostra uma evolução: os mesmos dados podem começar a participar de análises ambientais mais estruturadas.
A Deliberação ANTT nº 304, de 22 de outubro, aprovou acordo de cooperação para compartilhamento de informações e integração de sistemas entre o RNTRC, o Programa MelhorAR e o Observatório Nacional de Transporte e Logística. O objetivo declarado é produzir estudos e indicadores sobre emissões veiculares e desempenho ambiental capazes de subsidiar uma atuação regulatória baseada em evidências.
A própria ANTT ressalta que esses indicadores funcionarão como subsídio técnico e não significam, automaticamente, novas exigências ou decisões regulatórias. Ainda assim, o movimento é relevante. Idade da frota, tecnologia dos veículos e perfil de emissões deixam gradualmente de ser informações exclusivamente operacionais e passam a compor uma visão ambiental estruturada do setor.
Para empresas que mantêm frota própria ou dependem intensamente de transportadores contratados, isso reforça a necessidade de conhecer aquilo que muitas políticas ESG ainda tratam de maneira genérica. Qual é a idade média dos veículos? Qual tecnologia predomina? Quanto combustível é consumido? Existe informação semelhante sobre os prestadores contratados?
A empresa provavelmente sabe quanto custa cada caminhão. O próximo passo é conseguir explicar quanto cada um representa na pegada ambiental da operação — antes que essa leitura seja construída exclusivamente pelo regulador.

