Para muitas organizações, logística reversa ainda aparece no calendário como uma obrigação ambiental periódica: contratar operador, obter certificado, reunir documentos e comprovar o cumprimento das metas aplicáveis. Essa visão tende a ficar pequena quando a empresa começa a calcular todo o custo associado ao retorno, rastreamento e comprovação dos produtos e embalagens que coloca no mercado.
Em 28 de outubro terminou a consulta pública sobre o Programa Nacional de Logística Reversa. A proposta em desenvolvimento pretende funcionar como instrumento de coordenação e integração dos diferentes sistemas existentes, buscando ampliar cobertura, compartilhar infraestrutura e gerar escala na operacionalização. A consulta recebeu contribuições sobre minuta de portaria e documento operacional, mas o encerramento da participação pública não significa que as obrigações previstas nesses textos já estejam em vigor; o programa ainda precisa seguir seu processo de regulamentação.
Para indústria, varejo, bebidas, alimentos e empresas que colocam embalagens no mercado, o debate interessa muito além do departamento ambiental. Desenho de embalagem influencia recuperabilidade; Compras escolhe materiais e fornecedores; Supply Chain lida com transporte e pontos de coleta; Fiscal e Jurídico acompanham comprovações; e a Diretoria precisa conhecer o efeito econômico da obrigação no custo do produto.
O risco oculto é a companhia possuir certificados suficientes para uma auditoria documental, mas não saber responder quanto a logística reversa custa por categoria de produto, unidade vendida ou tipo de embalagem. Se a regulação evoluir para sistemas mais integrados e rastreáveis, empresas que já dominam seus volumes, parceiros, documentos e custos terão muito mais facilidade de adaptação.
A providência agora não é antecipar obrigações que ainda não foram aprovadas. É conhecer a operação existente. A logística reversa deixa de ser uma pauta exclusivamente ambiental quando a pergunta muda de “temos o certificado?” para “quanto custa colocar esta embalagem no mercado e demonstrar, com dados confiáveis, que cumprimos a responsabilidade pelo seu retorno?”.

