Grandes consumidores sabem quanto gastam com energia, mas nem sempre possuem acesso padronizado e facilmente utilizável ao histórico completo de consumo, medição e faturamento. Essa assimetria dificulta comparar propostas, avaliar comercializadores e transformar dados operacionais em inteligência de compras.
A ANEEL aprovou, em 27 de outubro, novas regras para abertura do mercado de energia do Grupo A e instituiu o Open Energy. O modelo permitirá que o consumidor acesse seus próprios dados de consumo, faturamento e medição de forma padronizada e, mediante consentimento, compartilhe essas informações com instituições escolhidas. Em até 12 meses após a publicação da norma, deverá existir também plataforma para comparação de produtos e preços; em até 24 meses, o compartilhamento deverá ocorrer por APIs padronizadas.
A Agência também simplificou determinadas jornadas de migração para o mercado livre. Para a maior parte das unidades dos subgrupos AS e A4 enquadradas no modelo simplificado, o prazo regular poderá cair de 180 para 90 dias.
O ponto estratégico é que energia deixa de ser apenas uma decisão contratual e começa a ganhar uma infraestrutura de dados semelhante à lógica já conhecida em outros mercados. Se informações de consumo puderem circular com mais facilidade, comercializadores terão condições de construir propostas mais aderentes ao perfil do cliente e as empresas poderão comparar alternativas com maior precisão.
Isso cria também uma agenda de governança. Quem poderá autorizar o compartilhamento? Compras? Energia? CFO? O dado poderá ser entregue a qualquer comercializador participante de uma concorrência? Qual será a política de retenção e uso dessas informações? O Open Energy pode transformar o histórico de consumo em ativo comercial. Para aproveitar essa vantagem, a empresa precisará aprender a governar o dado com o mesmo cuidado com que negocia o preço do megawatt.

