As discussões sobre IBS e CBS costumam começar na apuração tributária.
Mas a Reforma Tributária também está alterando aquilo que o cliente, o transportador e a equipe de recebimento enxergam fisicamente na operação.
Em 1º de outubro de 2026, o Portal da Nota Fiscal Eletrônica publicou a Nota Técnica 2026.010, versão 1.00, destinada ao novo modelo do DANFE adaptado à Reforma Tributária do Consumo. A publicação integra um conjunto de atualizações técnicas relacionadas à NF-e e NFC-e disponibilizadas na mesma data.
A mudança parece visual.
Não é.
O DANFE passa a refletir a nova estrutura tributária
O novo modelo foi desenhado para representar informações decorrentes de IBS, CBS e Imposto Seletivo.
Entre os elementos descritos na Nota Técnica estão novos espaços de totalização e informações tributárias relacionadas aos itens da NF-e, permitindo que os novos tributos passem a aparecer também na representação auxiliar do documento eletrônico. A documentação técnica divulgada a partir da NT 2026.010 prevê, entre outras alterações, um bloco destinado aos totais de IBS, CBS e IS e a exposição de informações tributárias adicionais por produto ou serviço.
Isso significa que a qualidade da parametrização fiscal deixa de produzir efeitos apenas no XML.
Ela se torna visível para quem recebe o documento.
Um erro de classificação, uma base inadequada ou uma informação incorreta pode chegar diretamente ao cliente.
A mudança atravessa o Fiscal e chega à Logística
O DANFE acompanha o fluxo físico de mercadorias.
Está na expedição.
Passa pelo transportador.
Chega ao centro de distribuição.
É utilizado em procedimentos de conferência e, em muitas empresas, alimenta rotinas operacionais integradas ao estoque e ao recebimento.
Por isso, alterar o leiaute não é apenas atualizar uma impressão.
Empresas com sistemas próprios, ERPs customizados ou integrações com operadores logísticos precisam verificar se a informação gerada no XML está sendo corretamente transportada para a representação em PDF ou papel.
A atualização também deve ser testada em diferentes cenários de emissão: notas com muitos itens, operações com tratamentos tributários específicos e documentos utilizados por clientes que possuem processos automatizados de conferência.
O cliente também precisará aprender a ler o novo documento
Existe outro lado da adaptação.
As empresas não apenas emitem DANFEs.
Elas também recebem milhares deles.
Supermercados, indústrias, centros de distribuição e operadores logísticos possuem rotinas estruturadas sobre o documento atual.
Quando novas informações começam a aparecer, procedimentos de conferência podem precisar ser atualizados.
Isso envolve Fiscal, Recebimento, Contabilidade, Logística e Tecnologia.
A empresa que prepara apenas seu sistema emissor pode deixar sem adaptação justamente o processo que recebe e valida os documentos dos fornecedores.
A reforma está deixando de ser um projeto exclusivamente tributário
A Nota Técnica 2026.010 torna essa mudança particularmente visível.
A reforma chega ao papel, ao PDF e ao fluxo operacional.
Por isso, a pergunta ao fornecedor de ERP não deveria ser apenas se os cálculos de IBS e CBS estão implementados.
Também é necessário verificar como o DANFE será gerado, como será lido e como as integrações da empresa reagirão ao novo leiaute.
O risco está em atualizar o motor fiscal e deixar toda a operação ao redor dele funcionando com premissas antigas.

