O maior desafio de uma adequação regulatória nem sempre é cumprir a regra.
Muitas vezes, o maior problema é descobrir o tamanho real da mudança necessária.
Em grandes operações industriais, estruturas de acesso fazem parte da rotina:
- escadas em silos;
- acessos a máquinas;
- estruturas de manutenção;
- plataformas;
- reservatórios;
- áreas técnicas.
Muitas dessas estruturas existem há anos e fazem parte da operação diária.
Mas uma mudança relacionada à NR-35 traz uma pergunta importante:
a empresa sabe exatamente quantas estruturas existem, onde estão localizadas e quais riscos estão associados a cada uma delas?
Em 02/09/2026, o Ministério do Trabalho publicou orientação oficial detalhando mudanças da NR-35 introduzidas pela Portaria MTE nº 1.259/2026, incluindo novas regras relacionadas a treinamentos presenciais e análise de risco de escadas fixas verticais.
O primeiro desafio não é adequar. É conhecer a exposição existente.
Quando se fala em NR-35, muitas empresas pensam imediatamente em treinamento.
Mas qualquer adequação começa antes:
com o diagnóstico da realidade operacional.
Uma indústria pode possuir dezenas, centenas ou milhares de estruturas de acesso.
Mas a empresa sabe:
- quantas existem?
- onde estão?
- quem utiliza?
- com qual frequência?
- em quais condições?
- quais possuem medidas de proteção?
Sem esse inventário, a empresa sequer consegue dimensionar o tamanho da adequação necessária.
A mudança transforma segurança em projeto de gestão
A orientação do Ministério do Trabalho estabelece que a utilização de escadas fixas verticais deve ser precedida de análise de risco.
Os prazos de implementação consideram a quantidade existente:
- até 500 escadas: primeiro ano;
- de 501 a 1.000: segundo ano;
- acima de 1.001: terceiro ano.
Esse critério demonstra que o desafio depende diretamente do tamanho da operação.
Uma empresa pequena possui uma realidade.
Uma indústria com centenas de pontos de acesso possui outra.
Por isso, a adequação precisa ser tratada como projeto corporativo.
Não é apenas uma obrigação do SESMT
Um erro comum é tratar alterações de SST como responsabilidade exclusiva da Segurança do Trabalho.
Mas uma adequação eficiente depende de integração:
- Engenharia conhece as estruturas;
- Manutenção conhece os equipamentos;
- Operação conhece a utilização;
- SESMT avalia os riscos;
- RH acompanha treinamentos;
- Jurídico avalia exposição;
- Diretoria define prioridades.
Sem integração, a empresa pode possuir informações fragmentadas e dificuldade de comprovação.
O que a empresa deve fazer agora?
Antes de investir em adequações, é necessário realizar um diagnóstico.
A empresa precisa mapear:
- quantidade de escadas;
- localização;
- finalidade;
- frequência de uso;
- condições atuais;
- proteções existentes;
- riscos identificados;
- responsáveis.
Esse levantamento será a base para definir:
- prioridades;
- orçamento;
- cronograma;
- medidas preventivas.
A decisão que muda dentro da empresa
A discussão deixa de ser:
“Os trabalhadores receberam treinamento?”
E passa a ser:
“A estrutura que permite o trabalho em altura está devidamente identificada, avaliada e controlada?”
Essa mudança altera a forma como a empresa enxerga prevenção.
Segurança deixa de ser apenas cumprimento documental.
Passa a ser gestão de risco operacional.