Para muitas empresas, o projeto de Reforma Tributária ainda está concentrado em três lugares:
ERP.
Cadastro fiscal.
Nota eletrônica.
Esse desenho está incompleto.
A partir de 15 de outubro de 2026, começa a fase de testes de integração entre Prestadores de Serviços de Pagamento e a Plataforma Pública do Split Payment. A Receita Federal deixou claro que se trata de um ambiente técnico e controlado, sem impacto sobre operações reais ou consumidores e sem processamento definitivo de transações nesta etapa.
Portanto, o dia 15 não marca o início efetivo da cobrança pelo split payment.
Mas marca algo importante para as empresas: a infraestrutura que conectará pagamento e tributo está saindo do papel.
O split payment aproxima a nota fiscal da conta bancária
O modelo prevê que informações relacionadas à operação e ao pagamento sejam transmitidas pelos prestadores de serviços de pagamento à plataforma pública.
O manual técnico da plataforma mostra fluxos que envolvem boleto, Pix Dinâmico, Pix Automático e, em determinadas etapas, Pix Estático, TED e TEF. A plataforma funcionará como um hub de comunicação entre PSPs, Receita Federal e Comitê Gestor do IBS.
Esse desenho muda a arquitetura tradicional do recolhimento.
Hoje, uma empresa pode enxergar três momentos relativamente separados: faturar, receber e recolher tributos.
Com o split payment em operação, pagamento e arrecadação passam a se aproximar.
É por isso que a Tesouraria precisa entrar na discussão.
O teste de outubro é dos PSPs, não das empresas em geral
Outro cuidado importante é não transformar uma fase técnica em obrigação empresarial imediata.
Nesta primeira etapa, os participantes diretos são os prestadores de serviços de pagamento integrados ao ambiente de testes.
Nenhuma venda real será submetida definitivamente ao split payment em 15 de outubro.
Isso não significa, entretanto, que empresas devam esperar o início efetivo para começar a entender seus impactos.
Quando o modelo entrar em operação, será necessário relacionar documento fiscal, valores de IBS e CBS e meios de pagamento.
E essa integração é particularmente relevante para organizações de grande volume transacional.
Supermercados e empresas B2B enfrentarão problemas diferentes
Em supermercados, milhares de pagamentos passam diariamente por diferentes meios.
TEF.
Pix.
Cartões.
Vouchers.
Outros arranjos.
Na indústria B2B, boleto, Pix e TED podem ser predominantes.
Cada arquitetura financeira terá desafios próprios.
Por isso, a preparação não deve partir apenas da legislação tributária.
A empresa precisa mapear como recebe.
Quantos sistemas participam do processo?
Existe conciliação automática?
Documento fiscal e pagamento conseguem ser relacionados de maneira confiável?
Como pagamentos parciais são tratados?
Como adiantamentos são identificados?
Quem controla divergências?
Essas perguntas passam a ter relevância tributária.
O maior risco é conduzir a reforma como projeto exclusivo do Fiscal
Se o Fiscal parametriza IBS e CBS e o TI adapta o ERP, mas a Tesouraria continua fora da discussão, parte importante da transformação ficará descoberta.
O split payment pode repercutir sobre conciliação, disponibilidade financeira, capital de giro e desenho dos processos de recebimento.
Mesmo que a implementação efetiva ainda esteja adiante, entender esses fluxos agora permite identificar sistemas legados e integrações que serão mais difíceis de alterar posteriormente.
A Reforma Tributária não terminará quando a nota fiscal estiver correta. Ela também precisará funcionar quando o dinheiro entrar na conta.

